Neste tempo que decorreu entre a primeira consulta e a primeira eco, as semanas não passavam. Nessa altura fomos visitar a família por duas vezes e por duas vezes não pude dizer nada. A notícia seria dada por telefone mais tarde.
Guardar um segredo destes não é fácil. Primeiro porque alguém pode notar e perguntar à frente de mais pessoas e (se forem tão boas a mentir como eu) fica logo toda a gente a saber.
Segundo porque eu gosto de beber um copo aqui ou ali, socialmente e deixei de o fazer, o que causou estranheza aos mais próximos. Por altura da Páscoa, o meu tio insistia para eu beber um copo ao almoço pascal. E eu, para não dar nas vistas, anui e ele encheu me o copo. Fui fingindo que bebia, mas na verdade toda a gente estranhou que no final da refeição o copo ainda estivesse quase cheio.
Só não menti à minha mãe. Em Fevereiro fomos lá a cima (já vos disse que sou de Vila Real?) e a minha mãe, numa ocasião que estávamos sozinhas, pôs-me a mão na barriga e perguntou Estás de bebé? Não consegui mentir e disse que sim, mas que ainda era cedo que ainda não tinha feito nenhuma eco e não sabia se estava tudo bem. Perguntei lhe como é que ela tinha desconfiado. Disse que o casaco que eu trazia vestido fazia um alto e parecia barriga de grávida, se bem que ela já me tinha visto com outras roupas. Acho que foi mesmo instinto maternal, porque nessa altura não se notava nadinha.
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